sexta-feira, março 03, 2006

Perfume na solidão

PERFUME NA SOLIDÃO

Às vezes dói, mas eu sei que tudo passa
Como se estivesse nas assas de um avião
Na reconstrução dos escombros está a graça
Às vezes incomoda, mas não subestimo a solidão.

Quando eu olho no céu lá fora
Vejo nuvens sombrias e carregadas
Mas depois somem e vão embora
Não sei pra onde são chamadas

Talvez para o mundo de alguém
Alguém que chame e aceite a escuridão
Que seu mundo confuso mantém
Entre a bondade e maldade, no meio da solidão.

Lutando com uns pensamentos
Sem a distância concreta, sem saber pra onde vai,
Perdido na multidão entre brumas de tormentos,
Na ladeira do ser o pensamento se esvai.

Eu me pergunto porquê... Como isso pode acontecer?
Eu também tenho minhas dúvidas
São muitas as questões no mundo do meu ser,
Tenho meus resgates e minhas dívidas,
Algumas coisas que eu não sei dizer

Mas eu olho os lírios no campo e as tulipas no jardim
Belas, frágeis e tenras, não perguntam porque existem,
Simplesmente embelezam sem pedir nem cobrar
Então neste momento eu não me perco, é só olhar...
Sentir a fragilidade e o perfume que exala no ar.

E eu pergunto... Há algo que eu possa dizer?
Se o mundo lhe cair cheio de flores, o que você vai fazer?
Vai chorar o que se perde ao redor de você?

É só olhar as flores que perfumam na solidão...

© by Walter

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