PERFUME NA SOLIDÃO
Às vezes dói, mas eu sei que tudo passa
Como se estivesse nas assas de um avião
Na reconstrução dos escombros está a graça
Às vezes incomoda, mas não subestimo a solidão.
Quando eu olho no céu lá fora
Vejo nuvens sombrias e carregadas
Mas depois somem e vão embora
Não sei pra onde são chamadas
Talvez para o mundo de alguém
Alguém que chame e aceite a escuridão
Que seu mundo confuso mantém
Entre a bondade e maldade, no meio da solidão.
Lutando com uns pensamentos
Sem a distância concreta, sem saber pra onde vai,
Perdido na multidão entre brumas de tormentos,
Na ladeira do ser o pensamento se esvai.
Eu me pergunto porquê... Como isso pode acontecer?
Eu também tenho minhas dúvidas
São muitas as questões no mundo do meu ser,
Tenho meus resgates e minhas dívidas,
Algumas coisas que eu não sei dizer
Mas eu olho os lírios no campo e as tulipas no jardim
Belas, frágeis e tenras, não perguntam porque existem,
Simplesmente embelezam sem pedir nem cobrar
Então neste momento eu não me perco, é só olhar...
Sentir a fragilidade e o perfume que exala no ar.
E eu pergunto... Há algo que eu possa dizer?
Se o mundo lhe cair cheio de flores, o que você vai fazer?
Vai chorar o que se perde ao redor de você?
É só olhar as flores que perfumam na solidão...
© by Walter